Vai, aqui dentro, uma outra angústia. Essa, estranha, diferente da habitual. Os mortos têm me cercado, e com eles toda a vida solitária e pavorosa que deixaram em mim. Tudo é silêncio agora. Uma mesa coberta de flores salpicadas, vazia. Em vão, procuro os seus gritos e até espero, ansiosa, mordendo o céu da boca, que você me repreenda. Mas, agora, você é um silêncio-sem-fim, amarelo-arroxeado. Eu te vi brigando comigo ontem. Você era preta, brava, forte, e acusava de ainda não ter te dado um neto. Não éramos nós, porque nunca mais seremos nós. Eu me enterneci, e chorei, como agora. Depois te vi passando deitada em uma cama, deslizando. Mais masculina, mais frágil. Um alguém protestava a sua idade, para estar passando por tudo aquilo. O aparelho, a pele tesa e seca, o roxo. Poderíamos ser nós, mas então eu percebi que já fomos nós, no passado. O que me sobra, neste instante, é a náusea, esse cheiro irritando de comida temperada, com um tempero que não é o seu. Eu me vi sozinha em u...