Eu, escada
Não é fácil assumir certas fragilidades. Ainda é melhor conviver com o medo da rejeição do que com a própria rejeição, e assim seguimos caminhando por aqui. De sincericídio a sincericídio, mas nunca uma dose de verdade suficiente para que eu ouça aquilo que mais temo. Tenho me sentido uma escada. A palavra “escada” pode ter boa conotação, para os altruístas, entre os quais eu, pelo menos hoje, não estou. Uma escada é instrumento, ferramenta importante que permite alcançar lugares, galgar momentos e pessoas que, sem ela, não seriam acessíveis. Mas a escada nunca sai do lugar; ela leva e eleva, permanecendo como meio, nunca como fim ou companheira de jornada. Alguém ou algo, lá em cima, vai colher os frutos do sacrifício de uma escada. É um pouco inglório preparar pessoas para a vida, treinar habilidades sentimentais para que outras pessoas, mais leves, menos comprometidas, atenuadas desse turbilhão emocional, que evitam o caos, entrem e se assentem, descompromissadamente fruam do s...