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Mostrando postagens de julho, 2023

Barbie da contracultura, eu?

Me programei para, mais tarde, assistir ao filme da Barbie. Ainda não tenho considerações sobre o enredo porque estou me poupando de ler críticas, resumos, spoilers que possam, de antemão, direcionar (muito) a minha opinião enquanto apreciadora de filme/arte. Algum pré-conceito (temos, aqui, uma palavra-chave para este texto) é sempre possível, e até esperado: sei que o filme tem viés feminista/crítico, ao mesmo tempo que funciona como peça de marketing reverso.  Há uma grande euforia em torno deste filme, assim como houve (e há) sobre o uso das inteligências artificiais para produção de conteúdo (acabo de ter a frase corrigida pela IA do Google Drive). Tão distantes dos meus anos 90, durante os quais eu mesma brincava de Barbie, nos dias correntes, é difícil encontrar um assunto que, internetizado, não caia nas graças e nas garras do público consumidor de posts e produtor de comentários. Todo mundo tem, quase invariavelmente, uma opinião superficial sobre as coisas — seria este t...

Personalíssima

Crônica é um tipo de texto (ou seria gênero textual?) em que se conta uma história sobre a qual se faz uma reflexão. Em curtas linhas, essa é a definição que eu mais usei quando, nos últimos cinco anos, um aluno me perguntava “O que é uma crônica?”  Outro dia, que poderíamos chamar de “ontem”, com a cabeça povoada pela ansiedade, entre tantos pensamentos e louças sujas, pensei “será que eu sei fazer uma crônica?”. Depois, recordando a definição misturada ao que eu, quase sempre, faço com os textos que escrevo, concluí que sim. Pode não ser uma crônica estruturada, do tipo que faria a festa em uma coluna de jornal ou revista, mas não deixa de obedecer ao principal do conceito: são reflexões que faço a partir de acontecimentos (banais ou não) da minha própria vida. Ou, jogando o anzol mais longe um pouco, mas não sem propósito, seriam acontecimentos reinterpretados à luz das reflexões que me chegam depois e que, frequentemente, não têm nada a ver com eles.  Pois é. Vamos dizer q...

Parte 1: "Na sua estante", Pitty

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Você, sempre perdido em um mundo que não dá pra entrar  A música sempre me tocou de uma forma intensa. Costumo dizer, para os que não me conhecem, que a mudança de uma faixa para outra, mesmo dentro de uma playlist categorizada, pode, a depender do dia, “trocar” também o meu estado de humor. Se eu fosse atriz, acho que usaria a trilha sonora para momentos de choro ou euforia (aliás, bastante propício usar esses dois termos agora). Neste texto, porém, a intenção não é falar da música como motriz de sentimentos e propulsora do humor. Acredito, desde sempre, que músicas são formas diferentes de contar histórias, e por isso sempre tive bastante dificuldade de apreciar músicas instrumentais, clássicas, sem letra. Sim, eu sei que existem outras linguagens capazes de contar histórias tão bem quanto as palavras, mas eu espero que você, que me lê, já saiba que eu fiz… Letras. As palavras, faladas ou escritas, assumem um papel bastante central na minha interpretação do mundo (e das pessoas)....