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Mostrando postagens de dezembro, 2023

Ao pai do meu filho e à minha depressão

Plantei uma semente de feijão com o meu filho. Como antigamente, no algodão. Deixei na janela, à meia-luz. Havia duas sementes e um pequeno pote, pouco espaço e luz controlada. Uma delas foi crescendo, enroscou sua raiz na outra, que ainda encapsulada em si mesma, rastejava em sair do chão. Disse ao meu filho: “Olha, são duas sementes, mas só uma vai crescer. Não tem espaço para as duas. Esta aqui vai virar uma árvore e a outra, vai ser eternamente uma semente. A mais forte sobrevive.”  Hoje, quando olhei novamente o potinho no beiral, sem querer, vi que o pé de feijão despontou às alturas, como era esperado, mas me surpreendi com a suposta “eterna semente”. Ela também está crescendo e já alcança a borda do pote, embora mais tímida e contida do que a irmã, presente, com a força que a natureza e o ambiente lhe deram, nem mais nem menos. Qual delas levará um menino à galinha dos ovos de ouro?  Eu e tantas outras mães somos as que ficam, as que assistem a partida e o levante, as ...