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Mostrando postagens de agosto, 2023

A sina de um texto qualquer perdido: um testamento dos meus 31

Acredito que superei a fase Bentinho. “A Capitu da Glória já estava dentro da de Matacavalos?”, ou alguma coisa do tipo. Se bem que essa reflexão sempre vai me acompanhar, considerando que, vira e mexe, estarei perplexa com as aparentes transformações das pessoas ao meu redor. Apesar dos anos, essa estupefação não mudou. Nesse ponto, eu mesma não me transformei. Encerrado o primeiro parágrafo, simples mote “estilístico” para este texto, em uma tentativa desde já fracassada de estilo machadiano, queria dizer que amei uma abstração. Não sei se é tão comum assim. Já me peguei várias vezes fazendo a pergunta de Bentinho: “caramba, será que fulano mudou tanto assim em tão pouco tempo? Será que ele já era assim e eu não percebi?” Mas, contudo, todavia, hoje, tendo a acreditar que nenhuma das duas perguntas encontra um “sim” como resposta. Uma terceira se faz, então, necessária: “cacete, será que eu me apaixonei por uma invenção?” Conto, agora, com meus 31 anos, idade em que a maioria das mul...

Cantarei o amor que não sinto (será que eu tô emocionada?)

Temporariamente cantaremos o amor, ainda que ele tenha se refugiado mais abaixo dos subterrâneos. E ao que parece, Drummond estava certo : nos nossos tempos, o amor foi escamoteado para as profundezas, envergonhado de existir.  Eu já amei algumas vezes, fui amada outras e umas tantas não. Quando falamos só “o amor”, “eu já amei”, “fui amada”, o senso comum detecta o amor romântico, de tão colado que ele está à imagem do sentimento amoroso. Acompanhando a maioria, dele mesmo é que eu estou falando dessa vez. O amor passa, hoje, por uma ideia de anulação, como se tivéssemos chegado a um estado tal de depuração que nos basta sentir (sem viver ou dar prova) ou, pior, não sentir amor pelo outro, apenas por nós mesmos. É a fase do “amor próprio”, do “eu primeiro”, do “ficar feliz sozinho/a”. Não que eu discorde, mas acho que me calça melhor, e para uma grande parte das pessoas, um “não estar infeliz sozinha” ou “estar confortável sozinha”. É plenamente possível curtir a própria companhia...